Impressões Iniciais: Um mês com STARBOUND Beta

Desde que Starbound foi anunciado lá para 2012, tem sido um jogo que me causou muito interesse. Imaginar que TERRARIA poderia ter um sucessor espiritual ambientado numa temática Sci-Fi Espacial me deixou simplesmente encantado. Dia a após dia, acompanhando o DEV blog dos caras eu sabia que o jogo não poderia ser um fracasso. Prometia tudo que poderia se esperar de um bom jogo.

E essa minha teoria se concretizou quando a Chucklefish arrecadou mais de 1 milhão na pré-venda do jogo em poucos dias. Feito notável para um jogo indie cujo único marketing era a expectativas dos fãs.

Eu fui um desses caras que comprou na pré-venda, não na primeira semana, mas cerca de 6 meses antes do lançamento do beta. Foi a primeira vez que gastei grana com um jogo indie em pré-venda. Os devs ganharam minha confiança.

Mas vamos falar do JOGO que é muito mais interessante.

 

IMPRESSÕES INICIAIS

Starbound começa com várias opções de raça para você jogar. Cada raça tem um sexo “masculino” e “feminino”. E cada raça tem uma história, background, nave, armaduras, armas, receitas de comida e falas específicas. Todo objeto no mundo pode ser “inspecionado”, e cada inspeção é diferende de acordo com cada raça.

Por enquanto não há diferença na jogabilidade das raças, se trata só de estética. Posteriormente será implementado que cada armadura racial quando equipada com set completo dará uma habilidade especial para seu usuário (Hlotl poderão nadar mais rapido e respirar debaixo d’agua, Apex pulará mais rapido, Floran transformará luz do sol em energia extra… etc) mas essas habilidades especiais ainda não foram implementadas e não são o conceito final.

Acima cada uma das 6 raças, cada uma tem várias opções de cores e customização desde cabelo até postura corporal. Futuramente uma nova raça será inserida: Novakid – com estilo meio velho-oeste.

Após fugir de seu planeta natal por algum motivo, você começa o jogo apenas com seu fusion Cutter, algumas sementes de comida para plantar, uma lanterna e uma arma básica. Sua nave está sem combustível e você terá que explorar o planeta em órbita para conseguir alimentos e combustível para sua nave. Mas não tema, o tutorial te ajuda um pouco (mas não muito). Logo você encontrará criaturas hostis e outras passivas, todas podem virar alimento pra você se você souber usar um arco e flecha.

Você terá, assim como em Terraria, coletar materiais como ferro, cobre prata e carvão para aprimorar seu equipamento e poder partir para o próximo planeta. Não conseguirá isso antes de cumprir alguns objetivos e montar determinado aparato que fará você invocar um BOSS. Após derrotar esse Boss, ele te dará uma peça que você precisa para aprimorar sua tecnologia e fazer itens mais modernos e viajar para sistemas de nível maior.

 

ALGORÍTIMO DE GERAÇÃO PROCEDURAL AUTÔNOMA INTEGRADA

(Ok eu floreei bastante esse termo, mas soa bem maneiro né?)

Quanto a geração procedural, os planetas são “infinitos” por assim dizer, e são gerados por um algorítimo baseado em 8 números do eixo X e 8 no eixo Y (coordenadas positivas e negativas) resultando em pelo menos 655.360.000.000.000.000.000 combinações de sistemas únicos com vários planetas (acredite, esse número pode até ser exponencialmente maior se errei meu calculo). Se você coloca uma determinada coordenada no seu Mapa Estrelar, encontrará o mesmo planeta que seus amigos em outro jogo. Isso torna o universo infinito muito mais interessante, uma vez que mesmo aleatório, permite que jogadores compartilhem suas descobertas.

Essa é a tela olhando dentro de um sistema (por enquanto). Aqueles números em vermelho são a coordenada de um sistema solar, que pode possuir vários planetas.

E quanto a essas descobertas, é aí que o jogo fica realmente interessante. Cada planeta possui “eventos” aleatórios que acontecem nele, que são Spawn de vilas, aparição de castelos, templos, fortes, laboratórios, prisões, e outras peças de arquitetura abandonadas. Isso é realmente o que te motiva a explorar cada planeta, porque por mais que você tenha encontrado uma vila de Florans num planeta de nível 3, se você achar uma vila Floran num planeta de nivel 6 elá terá itens muito melhores, novas receitas para você aprender e quem sabe um loot melhor pra roubar (hehehe). 

Tudo isso realmente motiva a exploração, apesar de existirem algumas limitações. Jogando sozinho e com amigos até agora encontrei (que eu me lembre): Vilas da raça Glitch que parecem vilas medievais, um Castelo Glitch completo com vários andares e um rei, Um castelo com um rei louco solitário que te ataca bradando palavras de desafio, um sistema de esgotos com algumas fezes mutantes, laboratório humano com vários robôs e guardas, laboratório Apex com vários experimentos que deram “errado”, laboratórios abandonados, templos abandonados, templos Avian que lembram tumbas egípcias, colônias penais humanas, Piratas Avian espaciais que navegam num barcos voador e vendem armas, minas abandonadas, estações de mineração de asteróides, cultistas macabros com câmaras de tortura, outros cultistas do mal que fazem pequenas masmorras a céu aberto, acampamentos de bandidos que pulam de trás das moitas para te atacar, entre outras coisas que nem me lembro no momento.

Socorro! Fui atacado por bandidos aleatórios!

Tudo isso já está no jogo no BETA, e muitas coisas mais serão implementadas tanto nas superfícies dos planetas, assim como nos subterrâneos.

O que posso dizer é que STARBOUND, mesmo no beta já tem mecânicas de jogo muito superiores a TERRARIA em vários sentidos.O que falta é claro é um “Fechamento” pro jogo. No começo existem poucas quests e o time está trabalhando duro nelas para tirar a sensação de SANDBOX do jogo e trazer algo mais linear para os jogadores. Até o momento é possível evoluir seu personagem para o ultimo “TIER” disponível (tier 10) em cerca de 12 horas de jogo. Isso se você não explorar muito os planetas e ficar apenas no grinding. Depois disso, a maior diversão do jogo é contruir coisas e explorar os planetas.

 

CONSTRUINDO SEU MUNDO

Quanto a construção, STARBOUND tem muitos mais recursos que terraria. Muitos tiles e objetos para serem adicionados. A maior parte deles você ainda não pode craftar, terá que achar durante suas viagens e “roubar”. Isso vale para alguns “tiles”. Você precisará quebrar as grades de uma prisão se quiser incluir grades na sua construção, e terá que roubar lâmpadas de laboratórios se quiser uma iluminação mais moderna no teto.

Mas nada disso é um grande problema, já que rapidamente você encontra estruturas no mundo para “roubar” aqueles tiles favoritos. O que é bem legal, já que você acha uma determinada construção legal e perde alguns minutos demolindo ela para levar os tiles “para casa” caso você queira construir algo.

Uuhhmm… Esses armários ficariam ótimos na minha casa… essa mesa também… Essas portas também…Acho que as paredes combinariam legal também ein…

Também é possível criar pequenos mecanismos pelo sistema de “wiring”, onde você conecta objetos para funcionar automaticamente, assim como em Minecraft. Não explorei a fundo nem vi muita coisa fantástica feita até agora, mas também faz pouco mais de 2 semanas que o sistema foi implementado, os tutoriais começaram a surgir a pouco tempo.

As construções são apenas limitadas por sua imaginação. A unica limitação é que são blocos quadrados. Mas os blocos são bem menores que em Terraria, o que dá a impressão que o acabamento fica mais bem feito. É muito mais fácil conseguir tiles neste jogo do que em outros sandboxes. Você pode ter virtualmente madeira infinita para construir se você plantar as sementes de árvores que você derrubou e reflorestar uma área grande.

 

COOPERATIVO

Quanto ao lado cooperativo do jogo, fica bem a critério do jogador. Não é necessário cooperar para atingir objetivos, e em alguns casos (principalmente no começo) conseguir peças de armadura para 2 jogadores se torna mais demorado do que para 1, mas é recompensador se você souber compartilhar recursos, dividir, planejar e delegar tarefas. Enquanto um constrói a estrutura da casa, outro pode estar colhendo madeira ou caçando comida. Então existe muita liberdade também nesse sentido. Em planetas de nível mais alto, minerar em várias pessoas é bem mais recompensador, já que existem muitos minérios abaixo do solo, e são fáceis de achar (diferente do começo).

 

PONTOS FORTES E FRACOS

Resumindo, o jogo tem vários pontos fortes. Ele recompensa a exploração, tem uma boa ambientação, tem artes belas e mecânicas divertidas, está bastante equilibrado para um beta, e te proporciona ABSURDAS horas de jogo (tenho já mais de 90 horas). Também é fácil de qualquer um pegar a jogabilidade e se divertir com ele (Minha namorada totalmente Leiga em Games pegou o ritmo bem rápido e adorou a experiência).

Os pontos fracos são aqueles que dizem respeito a coisas ainda inacabadas: Falta mais conteúdo, mais eventos aleatórios, mais cidades enormes, mais povoamento nos planetas, planetas mais difíceis, mais bosses, mais armas de fogo. Carece também de um sistema de transporte entre planetas que você visitou, tipo “portais dimensionais” e outras coisinhas. Talvez o pior defeito é que falta ainda implementar as teclas customizadas. Então pessoas como eu que jogam com a “canhota” (sou o Paul Maccartney dos teclados) precisam lançar mão de programas externos (como o excelente Auto Hotkey) pra customizar as teclas (se vocês forem legais e pedirem nos comentários, fazemos um post com tutorial de como configurá-lo).

Mas o que mais falta por enquanto é “mais SCI-FI”.

Por mais que em níveis mais altos o jogo tenha super armaduras High-tech e armas laser, os produtores têm que ousar mais em criar tecnologias que capturem nossa imaginação, e que nos façam ter certeza que estamos no futuro! Por exemplo, no momento você poder fazer picaretas até de diamante e posteriormente uma furadeira de broca de diamante que torna mineração muito mais prática. Mas porque não evoluir e máquinas mineradoras a LASER? Porque não sistemas de criação de água, veículos espaciais que cruzam o planeta, maquinas de controlar o clima e o tempo, entre outras coisas? É isso que queremos ver no jogo, mais ficção cientifica! MOAR MOAR!

Tenho certeza que os Devs tem um bom plano pra isso, mas que não será colocado em prática agora. Afinal o jogo ainda vai ficar em produção um bom tempo pelo que parece. Mas independente disso, depois de experimentar mais de 90 horas de jogo, não consigo imaginar um futuro em que Starbound não será um sucesso.


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Sr. Musadriffpor Sr. Musadriff

Musadriff é Editor, Escritor, Gamer, Modelo da Capricho, trabalhou como jornalista de cobertura em conflitos armados no oriente médio, Gosta de Cheetos Queijo Parmesão e Nutella, escreve para esse blog apaixonadamente sobre Jogos Cooperativos e o mundo dos Games quando não está ralando no trabalho ou tentando terminar a segunda faculdade.