Review: Dusty Revenge

Coelhinho da páscoa
Que trazes pra mim
Uma foice, uma escopeta, dois revolveres assim

Nada melhor do que comemorar a páscoa assumindo o papel de um coelho enfurecido com sede de vingança, não é verdade? Em Dusty Revenge, você veste as luvas flamejantes de Dusty, que trilha seu caminho de vingança atrás dos responsáveis pelo assassinato de sua amada.

Dusty Revenge: Co-Op Edition

Se tem medo de uma jornada solitária, não se preocupe: basta ter um amigo ai do seu lado com um controle, e ele poderá acompanhar Dusty com a Kitsune, uma Raposa ninja! Sim, cooperativo local para dois jogadores! Ficou curioso? Saiba mais sobre esse jogo animal!

Ficha Técnica

Gênero: Beat’em Up / Ação / Plataforma
Desenvolvido por: PD Design Studio
Publicado por: PD Design Studio
Cooperativo: 2 jogadores locais
Requisitos
Processador: Intel Core 2 Duo
Memória: 4 GB
Vídeo: 512 MB
Direct X: 9.0c

Enredo

Você assume o papel de Dusty, um coelho nada fofinho com punhos de fogo e um arsenal gigante de armas, que trilha seu caminho de vingança atrás dos responsáveis pelo assassinato de sua amada.

A história do jogo consiste em 11 fases com cenários únicos, e 8 chefes diferentes.

Ao longo de sua jornada de vingança, você fará alianças inesperadas, e descobrirá uma trama muito maior do que as vinganças pessoais sua e de seus aliados.

Para ilustrar a saga do herói, são utilizadas cutscenes em um formato peculiar, algo entre um desenho e um quadrinho, porém devidamente narrado, onde o narrador é o próprio personagem principal.

A exceção se dá quando a outra personagem jogável (Kitsune) está em jogo, seja no modo um jogador, ou no modo cooperativo. Por algum motivo, não há nenhuma cutscene com ela! Além disso, a fase inicial é diferente quando ela está envolvida.

Considerando a falta de cutscenes, caso jogue singleplayer, recomendo jogar com o Dusty, para poder acompanhar a trama!

Progressão

O primeiro sistema de progressão que você irá notar é o sistema de nível. Ao passar de nível não irá deixar o personagem causar mais dano ou aguentar mais golpes, e sim irá liberar manobras de combate extras, em meio a novos combos e combinações de golpes.

Parece pouco, mas na prática, não é: não só por você já começar com vários combos devastadores, mas também por cada nível liberar 2 ou mais movimentos extras, expandindo e muito o seu repertório até o nível máximo (7).

Você pode conferir progressão de nível no menu de pausa do jogo, e pode também a qualquer momento acessar a lista de movimentos liberados na respectiva aba.

Passar de nível é bem tranquilo: em geral, é esperado que fazer as fases da campanha te deixe bem próximo do nível máximo, porém essa progressão poderá variar, se você deixar monstros pra trás, não abrir baús de experiência no caminho, ou ainda, achar os cristais de experiência.

Cristais são itens escondidos em meio ao cenário, que para serem ativados, devem ser destruídos com auxílio de um tiro certeiro do McCoy.

Se nível não aumenta vida, o que aumenta, você me pergunta? Espalhadas nas fases, você poderá encontrar tesouros escondidos: urnas que guardam cilindros especiais, que darão uma fração de aumento de suas barras: vida, suporte ou especial.

Juntando 3 dessas frações, você será imediatamente recompensando com um aumento permanente na respectiva barra.

Outro item escondido nas fases são colecionáveis, representados através de pergaminhos que liberam artworks na galeria do jogo, visíveis através do menu principal do mesmo.

Você pode conferir quantos segredos existem em cada fase, e quantos deles você já encontrou, na tela de seleção de fases. Se numa determinada fase você liberar todos os segredos, e completá-la abaixo do tempo informado, terá a fase marcada como Perfeita, sendo portanto uma progressão alternativa para os complecionistas de plantão.

Ao zerar a história do jogo, você também será compensado com um novo modo de jogo, chamado de Boss Rush, onde você irá enfrentar todos os chefes do jogo em sequência… sem recuperar vida! Boa sorte pra quem quiser se aventurar, pois eu falhei miseravelmente…

Além disso, irá liberar dois uniformes para Dusty, que lembram muito… Ryu e Ken, do Street Fighter? Há outro uniforme para ser liberado, e por sinal ainda não o liberei.

Uniformes são uma adição peculiar, pois não só mudam o visual do personagem, mas também das sprites de muitos dos seus golpes – em geral, algo sutil como a troca da cor do elemento, mas o golpe especial também irá mudar.

Outras progressões obrigatórias e lineares, descobertas durante a campanha, são os 2 personagens-suporte: o urso Rondel, armado com um canhão de artilharia gigante, e Casey McCoy, um cão atirador-de-elite. Estes personagens serão essenciais durante a campanha, sendo ativados e controlados por você (mais detalhes abaixo, em jogabilidade).

Um ponto curioso é que os saves são separados: singleplayer como Dusty, singleplayer como Kitsune, e multiplayer… em cada caso, você terá níveis, progressão de fases, aquisição de upgrades separados.

Jogabilidade

O jogo possui uma jogabilidade complexa, com muitos botões para ataque, combos e combinações, porém como você libera pouco a pouco as sequências, irá se familiarizando aos poucos e se acostumando sem grandes problemas.

Você se movimenta normalmente utilizando as teclas A e D para esquerda e direita, S para agaixar e W para mirar para cima. O pulo é por padrão executado com barra de espaço – e pode ser reexecutado no ar para um alcance um pouco maior, e se segurado, irá fazer o personagem cair vagarosamente, usando suas humildes orelhas como para-quedas.

Além disso, pode usar dois toques na tecla de um dos lados para dar uma deslizada na direção desejada, ou ainda rolar no chão utilizando uma das direções e a tecla de abaixar.

Você contará com 3 teclas de ataque, que por padrão, utilizam as setas do teclado ou botões do mouse: seta para baixo ou botão esquerdo no mouse desferirá golpes leves, com seus punhos de fogo; seta para direita ou botão direito do mouse irá fazer os ataques pesados, utilizando de uma foice; por fim, seta para esquerda ou botões de scroll do mouse irá atacar de longe, utilizando dois revolveres simultaneamente, ou se segurando a seta para esquerda ou apertando botão do meio do mouse, utilizando uma escopeta! Pois é: armas não irão faltar.

Os golpes leves e pesados poderão ser combinados seguindo sequências pré-estabelecidas, resultando em golpes variados sequenciais. De começo são poucas combinações, e mais limitadas, porém com o passar dos níveis, você terá acesso a combos maiores e mais devastadores.

Um dos grandes trunfos do jogo é a possibilidade de cancelar diversas animações, de várias formas, rolando, agachando ou pulando. Isso é essencial para aumentar sua mobilidade, e consequentemente, sua sobrevivência.

Outra peculiaridade é o fato de você poder bater nos inimigos caídos normalmente, algo que eu nunca vi tão abertamente assim. Dessa forma, você consegue esticar os combos sem problema algum, mesmo finalizando em golpes que derrubem os inimigos.

Após a primeira fase, você irá liberar o seu primeiro personagem auxiliar, Rondel. Apertando a tecla 2, você gastará uma barra de suporte (barra verde, abaixo da vida), e entrará na tela de ataque de Rondel.

Basicamente, a tela ficará mais afastada, e você poderá controlar a parábola da trajetória de ataque do personagem. Apertando novamente a tecla 2, ou apertando o botão de ataque a longa distância, você fará o urso disparar um tiro de canhão, seguindo a trajetória escolhida.

Além do óbvio uso em combate para matar vários inimigos juntos, você irá utilizar muito o Rondel para quebrar partes do cenário – tanto algumas que necessitam de serem destruídas para prosseguir nas fases, quanto outras eventuais que são opcionais. Portanto, preste muita atenção no cenário!

O último personagem auxiliar a ser liberado é Case McCoy. Apertando a tecla 3 para ativá-lo, você fará a câmera afastar também, porém desta vez irá aparecer uma mira de sniper no meio da tela, que você pode controlar para todos os lados.

Você pode apertar a barra de espaços para aumentar o zoom da mira criando um retículo na tela. Também recomendo atirar apenas usando o botão de ataque a longa distância, pois no caso do uso de McCoy, ele poderá atirar até 4 vezes durante uma utilização! Outra boa dica, para quem for jogar no teclado, é que o mouse pode ser usado livremente para alinhar a mira, facilitando muito a mira em inimigos.

Como falado anteriormente, você poderá utilizar McCoy para destruir os cristais de experiência espalhados nas fases, agilizando muito o process de nivelamento do personagem.

Tanto McCoy quanto Rondel podem também ser utilizados para finalizar inimigos: quando estão próximos da morte, irá aparecer um ícone de seus personagens-suporte sobre estes inimigos, e matá-los com um ataque de suporte irá garantir recuperação extra de vida para você.

Eventualmente você irá liberar acesso à barra de especial, uma barra azul localizada acima de sua vida, que quando utilizável, será sinalizada por um texto dizendo MAX. Para executar o Ultra Combo, você deverá segurar a tecla de bloqueio (Shift) e apertar a tecla de ação (C).

O Ultra Combo consiste em duas partes de execução: na primeira, você deverá apertar o mais rápido possível os 3 ataques e o botão de ação intercalados, aumentando o número de hits do golpe.

Finalizando essa sequência, será a vez de Rondel e McCoy ajudarem: aparecerá uma barra horizontal abaixo, e você deverá apertar o botão de ação o mais próximo do meio dela, para aumentar a efetividade do golpe. É um golpe devastador, que sempre que bem executado limpa a tela.

Agora que já deu pra ter uma noção da complexidade de comandos do jogo… como é sua jogabilidade? Dusty Revenge também se destaca nisso, por duas características em especial: a ênfase em plataformas, e as lutas épicas contra chefes.

Falo de ênfase em plataformas, pois como em jogos do gênero clássicos, você irá morrer muito mais contra as fases do que contra os bixos delas. Precipícios, armadilhas, e muita malandragem do level designer para tirar sua atenção e fazer você se matar por besteira.

Arrisco dizer que é um dos level designs mais filhos-da-puta que já vi em jogos recentes – com todo respeito, e todo mérito devido. Não é algo inovador, mas certamente deixou de ser tendência há uns bons anos no gênero, e aqui, está a todo vapor! Certamente, vai render alguns xingamentos – e até algumas risadas.

Ah, os chefes. As lutas dos chefes são ricas, divididas em etapas distintas, e o principal: são muito, muito difíceis. É comum ver em diversos locais pessoas travadas num determinado chefe, desistindo em seguida após algumas tentativas.

Eu mesmo comecei a ficar empacado em chefes antes de chegar na metade do jogo, e quase desisti de fazer a review após algumas falhas. A princípio, eu vi as lutas como frustrantes, mas só depois que dei o devido mérito, de serem exigentes.

Nada de chegar no chefe, apertar qualquer coisa e passar – você terá de estudá-lo, desviar de seus golpes, e dar o máximo de dano num curto intervalo de tempo! Então, prepare-se: o jogo vai sim exigir que você domine a jogabilidade, e também tenha persistência.

Finalizando a seção de jogabilidade: ressalto que todas as teclas do jogo podem ser reconfiguradas através do menu do jogo, que também possui suporte total a joysticks em geral.

No joystick, a grande peculiaridade da jogabilidade é a presença de botões específicos para rolagem e para deslizamento.

Gráficos e sons

O jogo possui gráficos belíssimos, com traçados fortes, cores vibrantes e animações muito bem polidas. Não há uso de modelos 3D – o jogo é totalmente desenhado, e é uma obra-de-arte.

As animações são muito legais, fazendo com que até o ataque mais fraco pareça algo fenomenal. Talvez a única coisa que peque nelas seja a ligação entre duas animações distintas. Talvez aconteça pelo fato de você poder cancelar suas animações, e ai o resultado é o personagem “do nada” mudando completamente de posição.

O cenário é muito bem elaborado também, especialmente considerando que cada fase possui seu próprio estilo visual, e alguns deles são muito belos.

A interface é fantástica, seguindo o estilo visual do jogo e seu menu, possuindo poucos elementos, mais focada na utilização das barras para identificar as informações, e faz muito bem o seu trabalho, obstruindo muito pouco o jogo.

Já no âmbito sonoro, o destaque fica por conta do voice-acting durante as cutscenes, que certamente foi muito bem feita, de nível profissional, e contribui muito para a caracterização da saga do personagem.

Os sons de combate são legais, mas bem ordinários, e só não incomodam pelo visual ser muito belo. A trilha sonora não tem nada de memorável, mas certamente faz bem o papel de delimitar os momentos importantes do jogo, e caracterizar mais ainda o estilo único do jogo.

O jogo conta com poucas opções gráficas no menu, porém são suficientes, especialmente considerando que o jogo é um tanto leve.

Cooperativo!

Dusty Revenge pode ser jogado com um amigo num mesmo computador: infelizmente, só há a opção de cooperativo local, para dois jogadores.

Além disso, é impossível jogar dois no teclado, sendo portanto necessário a presença de ao menos um joystick. Não que faça diferença, afinal dois jogadores num teclado apertando várias teclas é um inferno sempre.

Dusty e Kitsune possuem golpes muito parecidos, sendo basicamente uma “skin” do mesmo personagem, só com animações e visuais diferentes.

Como falando anteriormente, jogar a história cooperativamente irá na prática ser um save a parte, com progressão da história e dos personagens a parte, desde o nível 1 e a primeira fase. E claro, sem nenhuma cutscene da história, por algum motivo.

Um recurso inovador no modo cooperativo é a possibilidade de tranferir vida entre os jogadores. Basta ambos se aproximarem, e apertarem e segurarem o botão de usar simultaneamente. Isso irá fazer o personagem com mais vida transferir parte dela para o com menos vida, ou seja, uma espécie de osmose vital. Ual.

Outro fato interessante a se considerar no modo cooperativo é que a experiência não é separada entre os jogadores, portanto é esperado que um jogador fique acima do nível do outro.

Sobre a dificuldade, eu diria que o jogo fica tanto mais fácil quanto mais difícil: mais fácil pois você estará efetivamente causando o dobro do dano, e ainda podendo dividir a atenção dos inimigos entre 2 jogadores, ficando mais tranquila a execução de combos.

Ao menos tempo, fica mais complicado conseguir identificar onde você está e os inimigos, tendo em vista o volume de movimentação e efeitos presentes. Se um dos jogadores morrer, paciência – ele será respawnado assim que o outro jogador checar em um checkpoint!

Mas mais do que o impacto na dificuldade, o que vale é o impacto na diversão, não é verdade? E devo afirmar que gostei muito de jogá-lo cooperativamente, certamente aumentando e muito o meu interesse pelo jogo.

Veredito

Dusty Revenge demorou pra me fisgar, considerando a primeira vez que fiquei travado num dos chefes, mas acabou me conquistando com o seu desafio, que foi muito bem dosado, e certamente só nos impacta pelo fato dos outros jogos nos terem deixados mal acostumados!

O jogo virou certamente um dos ícones de beleza em arte 2D para mim, em todos os sentidos: animações, cenário, interface, o conjunto todo é fantástico, e muito agradável de se ver.

O modo cooperativo, infelizmente limitado a 2 jogadores locais, é talvez o único ponto realmente negativo do jogo, reduzindo muito a possibilidade de aproveitá-lo com amigos. Mas pra quem puder, é recomendadíssimo!

A inovação feita com o uso de personagens auxiliares é certamente a marca registrada do jogo, e embora não combine totalmente com a ação frenética de combos, é um fator tático em combate, e serve justamente para quebrar a monotonia de ficar repetindo o mesmo combo sem parar.

O fato de ter obstáculos letais é outro fator que quebra a monotonia do gênero, e certamente irá nos remeter aos jogos da época dos 8/16 bits, onde era muito comum cair num precipício sem se dar conta.

Portanto, Dusty Revenge é um título que talvez não seja apreciado por todos, em função da sua dificuldade. Mas para quem se interessar, peço um pouco de paciência nesse quesito, que o jogo certamente o recompensará!

Certamente, nunca mais irei olhar para um coelho com os mesmos olhos…

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Darknesspor Darkness

Gamer fanático desde muito cedo, a primeira palavra que Darkness disse foi 'Atari'. Teria sido um gênio da indústria dos jogos - se não tivesse caído do berço em sua infância. De cabeça no chão.