Review: Hammerwatch

Após quase 4 meses sem reviews, trago a vocês esse jogo cooperativo muito legal, lançado há pouco tempo:

Inspirado no clássico Gauntlet, de quase 30 anos atrás, Hammerwatch é um sucessor espiritual com gráficos de 8 bits, que retoma o seu ancestral com sistemas modernos, incluindo várias opções de multiplayer.

Embora seja classificado como um jogo de aventura, é na verdade repleto de ação e quebra-cabeças, e possui uma dificuldade muito bem trabalhada.

Ficha Técnica

Gênero: Aventura
Desenvolvido por: Jochum Skoglund e Niklas Myrberg
Publicado por: Crackshell
Lançado em: 12 de Agosto de 2013
Plataformas: Windows, Linux e Mac OS X
Cooperativo: 4 jogadores – Local, LAN e Online
Requisitos Mínimos Requisitos Recomendados
Processador: 1,8 GHz Dual Core
Memória: 1 GB 1 GB
Vídeo: OpenGL 1.4 OpenGL 2.0

Enredo

A pequena ponte quebrou atrás de você… provavelmente não há saída!

Este é o super-prólogo do jogo, assim que você inicia sua aventura… como um pobre aventureiro que não pode voltar atrás, e se vê dentro de uma masmorra repleta de perigos.

Não há princesas a serem salvas. Não há uma missão para salvar o mundo. É apenas o seu traseiro gordo que está em jogo.

Simples assim, a campanha principal consiste em 16 fases, dividas em 4 atos, cada um com um chefe ao seu final.

Progressão

O jogo, muito simplista, não tem uma progressão contínua, como sistema de nível, inventário ou algo do gênero. E especialmente, nada é persistente – a cada novo jogo, você começará com um personagem zerado!

E faz muito sentido, considerando a progressão dos desafios – portanto, se você é um gamer de nova geração, acostumado a passar nível em até jogo de corrida, ou ser capaz de “farmar” áreas e ficar níveis acima do local onde se encontra, você será ultrajado!

A única progressão no jogo é altamente capitalista e limitada – sim, dinheiro! Com dinheiro você faz tudo: suborna vendedores mercenários para te ensinarem habilidades instantaneamente, ou compra poções muito loucas, e claro, vidas extras (sim, o jogo tem vidas limitadas!).

O jogo conta com 4 classes, que você escolherá antes de iniciar sua aventura: Paladin, Wizard, Ranger e Warlock. Cada classe tem seus stats próprios (vida, mana e velocidade), seus ataques (ataque normal, que pode ser melee ou ranged, com mecânicas próprias) e uma skill inicial (que consome mana).

Você deverá se aventurar pelas catacumbas, e pegar todo dinheiro que encontrar. Já aviso que ele é limitado - várias salas terão moedas no chão, outras cairão esporadicamente de monstros derrotados… e o principal, as salas secretas nas fases fazem muita diferença!

Após ter o dindin, você deverá encontrar os vendedores, espalhados nas fases, e escolherá as habilidades que deseja treinar. As possibilidades são poucas, relativamente falando, mas suficientes para o jogo.

São 5 NPCs diferentes que você encontrará:

  • Power: Vende poções, vidas extras e enche vida/mana
  • Combo:: Vende upgrades de “Combo”
  • Misc: Aumenta vida, mana e velocidade do personagem
  • Offense: Melhora as habilidades de ataque
  • Defense: Melhora as habilidades de defesa

Os combos são uma mecânica interessante do jogo, onde quando com o upgrade ativo, matar 10 ou mais inimigos num curto intervalo de tempo (MUITO CURTO!) iniciará um efeito secundário sobre o seu personagem, que pode ser prolongado enquanto o combo continuar, e certo tempo após ele parar.

Por si só, o combo irá aumentar seu dano e te deixar mais rápido. Porém, com upgrades, é possível que ele cure sua vida lentamente, e o principal, que ele crie um efeito de “nova” em pulsos no personagem – uma explosão de projéteis que saem em todas as direções, partindo do personagem.

Cada personagem começa com um ataque e uma skill ativa, e terá eventualmente acesso a mais duas skills ativas (uma ofensiva e uma defensiva, em termos de categoria). E confirmo sem medo nenhum que adquirir uma skill nova torna o jogo muito interessante!

O jogo conta com 3 dificuldades (Easy, Normal e Hard), e também permite uma personalização do desafio através de Modificadores. É possível ativar até 9 modificadores distintos, para dificultar ou facilitar o jogo, conforme desejo do jogador.

Resumindo a progressão: quem for explorador e paciente, capaz de desvendar os segredos do jogo, será muito recompensado!

Jogabilidade

O jogo tem um controle padrão que consiste em mover-se utilizando WASD, e as setas direcionais do teclado para atacar e usar skills (para cima ataca normal, esquerda é a skill 1, direita a skill 2 e baixo é a skill 3).

Outros botões são F para usar a poção, TAB para exibir o mapa. Espaço pode ser segurado para ativar o strafe (onde enquanto segurado, o personagem não mudará de posição), e Shift pode ser segurado para ativar o hold (poder usar o direcional sem que o personagem saia do lugar, apenas mudando seu ângulo). Se não agradar, não tem problema, tudo pode ser facilmente reconfigurado.

Parece pouca coisa, mas não é: o jogo é um button-mashing sem fim. Juro que no primeiro dia em que joguei, por pouco mais de duas horas, quase tive uma lesão, jogando de paladino e atacando sem parar… foi sofrido. É possível jogar perfeitamente pelo teclado, mas um joystick facilita e muito (especialmente se tiver turbo!).

A jogabilidade fica intensa, uma vez que é muito fácil morrer – o começo do jogo particularmente é fácil, mas a dificuldade aumenta exponencialmente, a medida que você progride nas fases.

Além de ter vida limitada, a vida também é limitada (?). Pera, deixa eu reformular: sabe a barrinha de vida? Hit Points? Eles não regeneram! Para recuperar vida, você precisa encontrar comidas na fase, e passar sobre elas… portanto, tal qual ocorria em jogos antigos, você deverá racionar recursos, lembrar onde deixou itens para trás, e etc. Só não é mais difícil porque ao menos a mana regenera com o tempo

O número total de vidas é compartilhado, e é muito raro achar vidas extras… portanto, muito cuidado – um afundador no time irá acabar com o jogo dos outros. Embora seja possível comprar vidas extras, o dinheiro é limitado, e portanto comprar vidas extras significa menos dinheiro gasto melhorando o personagem!

As fases podem ser consideradas lineares, mas isso não facilita o trabalhonão há nenhum indicador de onde deve-se ir! É tudo subentendido: você acha uma parede marrom bloqueando seu caminho, e deve procurar uma chave de cobre que deixou pra trás para abrí-la… progride, até achar outra parede, e abrir com a chave correta, até achar a escadaria para a próxima fase. O jogo conta com chaves de cobre, prata e ouro.

As classes, embora simples em conceito, na prática são muito diferentes (e complexas!) – não só possuem estatísticas e habilidades diferentes, mas também possuem funções diferentes nas fases, e as suas próprias habilidades possuem upgrades diferentes… o ataque do Paladin pode ter seu dano aumentado e sua área aumentada; o ataque do Wizard pode ter sua área de explosão aumentada, e ter um efeito secundário de deixar os inimigos pegando fogo… por aí vai.

Além de matar bixo e coletar ouro, você terá de enfrentar muitas armadilhas. Desviar de bolas de fogo disparadas pela parede, espinhos lançados ao pisar sobre um local, estátuas gárgulas que atiram para todas as direções, tabuleiro de espinhos que alterna entre piso andável e letal a cada segundo… são muitas, muitas armadilhas, que certamente deixam o Indiana Jones com inveja.

Também conta com alguns quebra-cabeças, onde você precisa pisar em certos símbolos na ordem correta, e ao errar a ordem algo desagradável acontece… clássico. Muitas combinações e variantes, para todos os gostos.

O maior desafio certamente é achar as salas secretasparedes falsas que podem ser atravessadas, onde atras delas você ativa um botão, que abre uma sala secreta em algum canto da fase, que levam até uma escadaria que te faz voltar para a fase anterior porém numa sala inacessível… sim, é desse nível!

As lutas com os chefes também são muito intensas – prepare-se para gastar um punhado de vidas em cada chefe… é inevitável. Se não bastassem terem muita vida e habilidades fortes, os chefes ainda espalham monstros para distrair e atrapalhar!

E por falar em espalhar monstros, após certo nível você encontrará locais que fazem bixos nascer continuamente, e você precisará destruí-los para ter algum sossego. Usualmente monstros não respawnam, exceto nestes locais de spawns. Seria simples, se não houvessem mais monstros ao redor e armadilhas por perto, é claro!

Em suma, a jogabilidade é agradável, e intensa pela quantidade de monstros que surgem, e exigem que o jogador mova-se constantemente, correndo do perigo, desviando de projéteis e matando tudo em seu caminho, enquanto perde-se nas fases grandes e procura onde raios deixou uma chavezinha para trás. Clássico!

Gráficos e sons

O jogo tem um estilo de 8 bits, portanto prepare-se para ver quadradinhos em sua tela. Dessa forma, é difícil avaliar como “gráficos ruins”… pois o jogo busca ser retrô em todos os sentidos, inclusive no visual.

Mesmo assim, o jogo consegue surpreender. Mesclado com os sprites pixelizados, o jogo utiliza de filtros gráficos, para criar sombras e iluminação, por exemplo. O resultado é muito belo. Nas opções de vídeo do jogo, ainda é possível colocar filtros extras, para simular televisores antigos!

A interface é bem limpa, e sua rusticidade combina com o fato do jogo ser retrô – e também ser um “dungeon crawler”. Toda informação necessária é facilmente localizada na tela. O mapa dica facilmente os objetos na tela, que a princípio confundem, mas é fácil se acostumar.

A trilha sonora é própria, e bem orquestrada. Captura bem a atmosfera do jogo, aumentando a tensão, e se encaixa no modelo retrô por ter sons de 8 bits também.

Os sons, bom, são a pior parte. É muita repetição de barulho, com pouca variação. Na verdade devo até ressaltar que lembraram de colocar uma pequena mudança nos sons: sons de ataque e morte de inimigos tem uma leve variação de frequência… porém, considerando o número de ataques e monstros que morrem, no fim a diferença é insuficiente. Mas tudo bem, é retrô. Esse jogo pode.

Cooperativo!

Cooperativo local, em LAN ou Online, até 4 jogadores juntos. Você escolhe! Inclusive, entre plataformas! Dificilmente podia ser melhor…

O dinheiro é automaticamente compartilhado entre os aliados, o que facilita o jogo (acredito que ele não seja dividido, mas sim dado na integra para todos jogadores). Porém, itens de vida na fase precisarão ser divididos. As chaves e vidas extras são as mesmas para todos jogadores.

Uma peculiaridade sobre o multiplayer local: não é possível que os jogadores se separem muito – a visão da tela irá se posicionar exatamente entre os jogadores – portanto caso se separem muito, acabará que nenhum jogador ficará dentro da tela! Não vou dizer que é ruim – tudo bem o jogo não ter split screen – mas é engraçado também ele não limitar a movimentação dos jogadores, que é o comum nesse caso…

Para quem pretende jogar online, boas notícias: É possível encontrar jogos online em aberto através do menu, ou então conectar-se diretamente via IP.

Eu diria que o jogo tem um brilho em uma partida multiplayer. É muito legal ver um Paladin à frente, bloqueando com seu escudo flechas de inimigos, e um aliado Ranger atrás atirando flechas, por exemplo. São pequenos momentos de cooperação simples, mas tão recorrentes, que são uma lição de cooperação para muitos jogos AAA que se dizem cooperativos.

Editor de Mapas

Zerou o jogo com todos os personagens? Está enjoado? Não tem problema – o jogo vem com um editor de mapas completíssimo.

Mesmo que você não seja do tipo que curta editar e fazer seu desafio, isso significa que em breve, haverão muitos mapas complexos e interessantes cridos pela comunidade, aumentando em muito a vida útil do jogo.

Para fins de exemplo, o jogo vem com um mapa de Hero Defense, onde os jogadores enfrentam ondas de inimigos e devem pará-los antes que cheguem ao fim do caminho.

Veredito

Hammerwatch é um jogo que certamente irá fisgar os gamers da velha guarda, e também é uma espécie de túnel do tempo para os jogadores da nova geração sentirem um pouco o gosto dos jogos mais antigos.

Tendo um desafio muito bem feito, o jogo fica bem na linha entre desafio e frustração, e recompensa o jogador inteligente-e-curioso, e não o jogador que passa-mais-tempo-jogando-e-matando-bixos-sem-parar, que é o atual paradigma de jogos hoje.

Adicionando o fato de ter vários modos cooperativos, e um editor de mapas desde seu lançamento, certamente é um jogo que pode ser jogado por muito tempo, apesar da campanha principal ser curta.

Recomendo sem pensar duas vezes – eu e o Musadriff já completamos a aventura uma vez, e me recordo que a primeira coisa que ele me falou foi após zerarmos foi “na próxima vou de Wizard, ai você vai de Warlock!“…


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Darknesspor Darkness

Criador do nada consagrado mod de Unreal Tournament Apocalypse Weapons de mais de 100 mil linhas de programação, Darkness abandonou o lado negro da força, e hoje vive entre ornitorrincos numa ilha remota na Austrália.